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Posto me tem fortuna em tal estado,
E tanto a seus pés me tem rendido!
Não tenho que perder já, de perdido,
Não tenho que mudar já, de mudado.
Todo o bem para mim é acabado;
Daqui dou o viver já por vivido;
Que, aonde o mal é tão conhecido,
Também o viver mais será escusado.
Se me basta querer, a morte quero,
Que bem outra esperança não convém,
E curarei um mal com outro mal.
E pois do bem tão pouco bem espero,
Já que o mal este só remédio tem,
Não me culpem em querer remédio tal
escusado: adj. Dispensável, desnecessário, inútil.
O texto trata-se de um desanimo de viver, do qual o autor diz que está tudo acabado, que a vida já deu o que tinha de dar. Na frase “E tanto a seus pés me tem rendido!” ele parece fazer referência a um amor não correspondido ou até mesmo a própria vida, ele apresenta apenas as conseqüência de algo que lhe feriu emocionalmente ocultando a causa, fato que dificulta a interpretação neste ponto.
Texto simplificado:
Coloquei-me em fortuna neste estado,
E tanto aos seus pés tenho me rendido!
Não tenho de perder agora, de perdido,
Não tenho de mudar agora, de mudado.
Todo o bem para mim é acabado;
Daqui dou o viver já por vivido;
Que, aonde o mal é tão normal,
Também o viver será inútil.
Se me basta querer, a morte quero,
Nenhuma outra esperança me convém,
E curarei um mal com outro mal.
E do bem tão pouco espero bem,
Já que o mal só este remédio tem,
Não me culpem em querer tal remédio.
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