9 de setembro de 2013



Em uma tarde de nuvens negras e céu escuro, com a chuva a escorrer entre as roupas já úmidas e a carne moída do cansaço, ventos suaves como o mais puro sopro divino, o silêncio do eminente perigo que espreita, apenas esperando sua astúcia lhe intuir os sentidos à direção certa.  Seguia-se os intermináveis minutos de agonia dos mercenários que aguardavam nada se não o pior, sabiam que iriam morrer, seja ali ou a apenas algumas poucas horas de fuga, não importava, já tinham se conformado e ditado suas decisões ao mundo. Iriam morrer cumprindo seu dever e nunca correndo á morte, mas sempre enfrentando-a frente a frente até que um dos dois saiam erguidos. Tudo o que lhes restava era mundano, não tinham mulheres ou filhos, apenas as prostitutas e a grande quantia em ouro como recompensa, isto é, se voltassem vivos da missão.
Apesar de nunca terem se arrependido dos seus atos, por mais hediondos que fossem, a morte lhes jazia a sentença de arrependimento perpetuo, como uma forma de pagamento à aqueles que agora choram as lágrimas da desgraça, do ódio e do sofrimento. Seus corações eram frios, suas carnes gélidas e duras como pedra, o sangue lhes era quente como a lava a escorrer do vulcão, ditando o caminho em uma forma imponente e ameaçadora. Ah não, apesar de serem todos os mais altos lendários mercenários que poderiam ter existido e existirão, eles tinham suas amarguras, o tempo não poupa nem mesmo os deuses, corrompe até mesmo a mais forte corrente semeadora da vontade. Começaram a lembrar de suas infâncias duras como escravos, sendo treinados para matar até mesmo aqueles mais próximos, e há uma coisa que todo ser não pode negar à sua essência, o apego à vida, seja por laços ou por uma simples existência, todo ser se apega a alguma forma de existência, seja mundana ou no eco do tempo. E esse desejo começava a arder dentro deles, ressuscitando amarguras que seus mestres uma vez reprimiram na mais profunda parte da alma. Essa amargura era o que os definiam como lendas, os bastardos de um rei que assassinara a própria mulher em troca de um pouco de prazer com uma prostituta vaidosa e gananciosa, é essa mesma amargura que agora os prendia ao mundo, não como mercenários mas como irmãos que precisavam terminar uma jura de vingança, para somente então darem a suas almas o descanso no berço da criação.

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